Os dois eus – o bondoso e o amargo.


– Eu venho querendo conversar com você há algum tempo. Não sei ao certo quando isso aconteceu, mas definitivamente não é mais a mesma. Seus atos, seus pensamentos, seu coração, tudo em você está diferente. Você está mais indócil e cruel. Mas o que aconteceu? Eu gostava de você como era antes. Gostava daquela garota que tinha minha essência dentro de si, daquela doce garota, gentil e cativante – disse o eu bondoso.
– Você não consegue enxergar? O mundo me fez mudar, as pessoas me fizeram mudar. Elas transformaram a doçura dentro de mim, hoje estou completamente amarga – respondeu o eu descrente e agora amargo.
– Mas você não pode se igualar a elas – falou o eu bondoso.
– Por que não posso? – perguntou o eu amargo.
– Porque és diferente. Lembra? Lembra de quem eras? – respondeu o eu bondoso.
– Eu era diferente, mas não me importo mais se o mundo será melhor se eu for melhor. Fiz minha parte esse tempo inteiro e o que ganhei? Pedradas na cara das pessoas que eu mais confiava, daquelas que mascaravam a verdade atrás da hipocrisia – rebateu o eu amargo.
– Mas o mundo não é só isso. Existem pessoas boas como você, não pode deixar se corromper. Se você se entregar, se todos se entregarem, então será a vitória do mal – tentou convencê-lo o eu bondoso.
– Não existe mal ou bem. Existem apenas pessoas que se aproveitam da inocência das outras para fazer o mal. Por isso deixarei minha inocência de lado, presa no meu passado, já não basta tudo que sofri até aqui por insistir em carregá-la comigo. Quem me dera, ao menos uma vez, ter de volta todo o ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade se alguém levasse embora até o que eu não tinha – respondeu convicto o eu amargo.
– Mas e as amizades verdadeiras? E as pessoas que te amam de verdade? Você deve ajudar a distribuir o amor pelo mundo, não perca as esperanças, o amor é a salvação, o amor é a saída – lutava o eu bondoso.
– Eu já acreditei no amor um dia. Eu já quis preencher o mundo com amor. Hoje, não mais. Estou cansada disso tudo, estou cansada de viver buscando o bem, um bem escasso, um bem inexistente. Quanto às pessoas que me amam de verdade, sei reconhecê-las e não deixarei de amá-las. Mas apenas comigo e com elas irei me importar. O resto nem meu ódio merecem, apenas desprezo. Estou cansada dessa humanidade sórdida e mesquinha, tão cansada que resolvi me meter no meio dela, como forma de proteção, de sobrevivência. Se o mundo está sendo plantado com hipocrisia, a exaltemos então: Viva a hipocrisia! E que reguemos muito mais merda do que já existe. Não me importo mais, porque nós somos a doença do mundo, nós causamos nossa própria destruição. Nos deram espelhos, e vimos um mundo doente – finalizou o eu amargo, completamente descrente da humanidade.
(Anyele Matos)

Texto para a edição C&F, dialogue e musical.
Projeto Créativité

 

 

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Sobre anymatos

Sou estudante e tenho 15 anos. Aqui está um pouco do que sou, do que sinto, de como vejo o mundo, as pessoas e a mim mesma, mas como tudo que sofre a ação do tempo é modificado, eu também estou sujeita a metamorfoses, ficarão registradas então as mudanças do meu ser.
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3 respostas para Os dois eus – o bondoso e o amargo.

  1. Jaynne disse:

    Amiga, minha torcida fiel!!!
    Grande beijo;

  2. Sua história é muito boa!
    Se não fosse por alguns erros de ortografia, ganharia um 10!

  3. anymatos disse:

    Obrigada Jay pela torcida smp!
    E obrigada Créativité, já concertei alguns, que foram na hora da digitação!
    Bjos! ^^

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